Por Gustavo Coelho
O homem entendeu aquilo como uma confirmação. Ele se abaixou. Com uma das mãos, segurou o dispositivo metálico e, com a outra, o guiou para uma abertura circular na base da cadeira. O prisioneiro sentiu o metal frio e lubrificado tocar sua pele, e então ser introduzido em seu ânus. Ele tentou gritar, mas saiu apenas um gemido abafado.
Ainda abaixado, o torturador pressionou um pequeno botão no controle que segurava. Um zumbido delicado e abafado, algo como o suave som de um aríete hidráulico ganhando vida.
O corpo do outro se contorceu violentamente contra as restrições impostas pelas amarras, a coluna se curvando na cadeira com a pressão interna que ia aumentando. Ele chorou, implorou e suplicou para que aquilo acabasse, mas o homem à sua frente apenas olhava extasiado.
Ele começou a assobiar, pressionando o botão o tempo todo com o polegar, uma melodia suave que não tinha relação com os gritos agonizantes de sua presa. A "pera" se abria uma fração de polegada a cada segundo e Hebert tinha a sensação de estar sendo rasgado por dentro. O grito foi substituído por tremores que seu corpo não conseguia controlar.
O sequestrador observou a reação com interesse e, então, soltou o botão. O zumbido hidráulico parou.
— Pronto — afirmou ele, com a voz calma de quem conclui uma tarefa. — Cheguei no ponto que queria.
Hebert ofegava, o corpo mole e dolorido. Sentia o sangue quente escorrendo, a certeza de uma ferida interna grave. O desespero deu lugar a um novo tipo de súplica: a de um homem humilhado pedindo socorro.
— Por favor... Eu preciso de um médico...
O sequestrador soltou uma gargalhada contida, um som baixo e divertido que pareceu ecoar por toda a sala. Ele se aproximou do rosto de Hebert, o sorriso ainda em seus lábios.
— Não — disse ele, com simplicidade. — Nós só estamos começando os jogos.
Ignorando as súplicas, ele guardou o controle da "pera" e pegou o outro pequeno aparelho, o da descarga elétrica.
— Diga-me, Hebert — começou, a voz calma e professoral. — Quando me viu pela primeira vez, sentiu alguma coisa?
Hebert, em meio à dor e ao pânico, não entendeu a pergunta. Sua mente estava focada na agonia que pulsava em seu corpo. Ele apenas gemeu, confuso. O homem suspirou, como se estivesse desapontado com a lentidão do aluno. Sem dizer mais nada, ele girou o botão do dispositivo em sua mão.
A descarga elétrica voltou, e uma convulsão de dor aguda sacudiu o corpo de Hebert. Agora, porém, o sofrimento foi amplificado de forma inimaginável. Com a “pera”, a corrente elétrica somou-se à dor latejante e profunda que já o consumia por dentro. Sua visão escureceu.
Quando o choque cessou, o sequestrador se aproximou novamente, o rosto a centímetros do de Hebert.
— Eu perguntei... — repetiu, enunciando cada palavra. — Se você sentiu alguma coisa.
Hebert entendeu. A "coisa" a que ele se referia, provavelmente, era o choque. Com o corpo ainda tremendo, ele conseguiu assentir com a cabeça, um movimento fraco e desesperado.
O homem sorriu, satisfeito com o entendimento.
— Esse sentimento... essa descarga... — explicou ele, didaticamente. — É algo comum em predadores. É o que usamos para domar as feras.
Ele apontou com o queixo para a parte íntima de Hebert, que até então estava fora de seu campo de visão, obscurecida pela posição em que estava amarrado.
Seguindo o gesto, Hebert baixou os olhos e então viu. Preso à base de seu pênis, havia um grampo de metal, semelhante a uma pinça, do qual saía um fio fino que se conectava a um dispositivo preso na lateral da cadeira. Era dali que vinha a eletricidade. A fonte de uma das dores, agora revelada, só tornava o terror mais humilhante.
A visão do grampo metálico em sua genitália dissolveu o que restava do autocontrole de Hebert. Um grito de pânico rasgou sua garganta.
— Tira isso! Por favor, tira isso de mim! — implorava, o corpo se debatendo inutilmente contra as amarras.
O sequestrador sorriu, um sorriso genuinamente divertido, como se a situação fosse uma piada particular. Ele se aproximou, a calma contrastando com o desespero de Hebert.
— Eu tiro. Tudo a seu tempo — disse ele, a voz suave. — Que tal um jogo? Para cada escolha correta que o senhor fizer, eu resolvo um desses seus... probleminhas. E, para ser justo, eu pago uma pequena prenda cada vez que eu perder. O que me diz?
Hebert parou de se debater, ofegante. Qualquer coisa era melhor que aquela agonia sem sentido.
— Sim, eu aceito! Qualquer coisa! — respondeu, a voz embargada.
— Excelente. Então vamos ao primeiro jogo — disse o homem, juntando as mãos na frente do corpo. — A escolha é clássica: Verdade ou Desafio?
Hebert não hesitou. A verdade parecia mais segura, menos física.
— Verdade, pelo amor de Deus!
— Certo, então. Sem problemas — o homem empurrou os óculos para cima no nariz. — A pergunta é bem simples: qual foi a coisa mais cruel que você já fez?
Hebert hesitou. A pergunta o atingiu inesperadamente. Como ele poderia saber? Como o sequestrador saberia que ele daria a "resposta certa"? A pergunta não era sobre a verdade dele, mas sobre a verdade que o sequestrador queria ouvir. Era uma armadilha. Ele vasculhou a memória em busca de algo, qualquer coisa que pudesse satisfazer aquele monstro. Então, arriscou.
— Uma vez... — começou, a voz trêmula. — Na faculdade. Eu... eu deixei um nerd pelado e o tranquei em um dos armários de limpeza. Deixei ele a noite inteira lá.
O sorriso sutil desapareceu do rosto do homem. Sua expressão se fechou, tornando-se uma máscara de fria desaprovação. Sem dizer uma palavra, ele se virou e caminhou em direção ao fundo da sala escura, seus passos pesados tocando o chão molhado. Hebert o seguiu com os olhos, o coração disparado, ansioso por saber se havia dado a resposta certa.
O homem voltou, segurando um martelo. A ferramenta era comum, de cabo de madeira e cabeça de metal, mas naquele ambiente, sob aquela luz, parecia um instrumento de execução.
Ao ver a arma, o pânico tomou conta de Hebert novamente.
— Não! Espera! Foi só uma brincadeira... uma piada de faculdade! — ele gritou, a voz esganiçada. — Eu não queria fazer mal a ninguém... por favor...
O sequestrador o ignorou completamente. Ajoelhou-se ao lado do pé de Hebert, que estava preso à cadeira. Ele ergueu o martelo.
O golpe desceu, violento e preciso, sobre o dedão do pé direito de Hebert.
O som foi seco, uma mistura de metal contra osso e carne. A dor explodiu pela perna de Hebert como fogo líquido. Ele se balançou violentamente na cadeira, o corpo convulsionando em um espasmo de agonia. O choro, que antes era de desespero, agora era um uivo agudo e incontrolável de dor física.
— ERRADO! — gritou ele, a voz calma substituída por um berro. — Não era a resposta correta!
Ele caminhou de um lado para o outro, respirando fundo, como se tentasse controlar a própria raiva. Então parou e olhou para Hebert, que ainda soluçava de dor.
Continua amanhã, dia 09/02.
Gustavo
Coelho,
natural do Rio de Janeiro (RJ), reside em Uberlândia/MG. Formado em Comunicação
Social e especialista em Marketing, assim como todo bom nerd, é um apaixonado
pela cultura Geek. Empresário com 45 anos, tem como hobby a contínua busca do
anime perfeito. Casado, pai de uma linda filhota, entra neste mundo mágico da
Literatura buscando expandir, cada vez mais, sua criatividade e imaginação. É
coautor de Crisântemo.



.png)

.png)
