Esta obra é o relato de uma experiência real, dolorosa e perturbadora. Após um intervalo de dez anos do acontecido, senti-me na obrigação de revelar o que se passou comigo num ‘centro de reabilitação’, para onde fui levado devido ao abuso contínuo e sistemático de bebidas alcoólicas. Este período foi um hiato na minha vida, um ponto fora da curva, uma descida ao inferno. Ao expor publicamente a minha história, vivida nesse ambiente dito de recuperação de adictos, exponho os dois lados envolvidos, ou seja, o das famílias desesperadas, que precisam internar seus problemáticos dependentes químicos, já que eles, sozinhos, não conseguem se reerguer de contínuas recaídas; e o que se passa no interior desses estabelecimentos travestidos de clínicas, que são, em verdade, empresas privadas com fins lucrativos, improvisadas para esse fim, sem todavia contarem com os profissionais qualificados para um tratamento eficaz da dependência química.
Logicamente, existem clínicas sérias e idôneas, que se prestam ao papel a que se propõem, mas, infelizmente, outras são de fachada, cujos membros são adictos ‘recuperados’, que tentam aplicar a metodologia dos Narcóticos Anônimos – a que eles próprios foram submetidos anteriormente – como se fosse possível se profissionalizar apenas com a experiência vivida, ao passar pelo processo de recuperação.
O aspecto mais relevante – e assustador – a se destacar é que alguns centros de reabilitação fazem uso frequente de violência física e psicológica contra seus internos, visando manter a disciplina e a ordem a todo custo. Enquanto os familiares acreditam que eles estão sendo cuidados profissionalmente e se reabilitando de verdade, num ambiente de paz e tranquilidade (e para isso dispendendo de altos valores nas mensalidades), lá dentro o ambiente é de isolamento total do mundo externo e os adictos, como são tecnicamente chamados os dependentes químicos de substâncias psicoativas, estão à mercê de técnicos despreparados, muitas vezes rancorosos e truculentos. Desta forma, ao saírem desses estabelecimentos após seis meses, um ano ou mais de clausura, os dependentes químicos têm poucas chances de se manterem ‘limpos’ e se engajarem novamente na família, no trabalho e na sociedade.
Minha história, muito além de um simples relato, é um alerta às famílias e à sociedade, algo que acontece por aí com mais frequência do que se imagina. Muitos leitores se identificarão com algum ponto desta amarga experiência, que, acredito, seja um assunto de grande relevância social.
O Autor
Onde comprar?
No estande da Editora O Bule: dias 08 e 09 de maio, na Feira da Cultura, no Centro Municipal de Cultura (antigo Fórum) - Praça Prof. Jacy de Assis - s/n - Centro, Uberlândia - MG.
Sobre o autor
Marcelo Aguiar, mineiro de Coromandel, nascido em 1958 e radicado em Uberlândia desde 1997, é servidor público federal aposentado e se define como um escritor diletante. Começou a rabiscar seus primeiros contos e poemas em 1973, quando se mudou para Brasília com o objetivo de dar continuidade aos estudos. A brusca transição de uma pequena cidade do interior para a Capital Federal, longe dos pais e amigos, despertou no então adolescente a necessidade de externar, no papel, a intensa ebulição interior que vivia. Assim nasceu o escritor — inicialmente contestador e existencialista, mais tarde amadurecido pela experiência de vida, pela leitura e pela prática constante da escrita.
Seu primeiro livro, Crônicas Botequinescas e Contos Meus, publicado de forma independente em 2012, reúne histórias vividas ou ouvidas ao longo de sua trajetória. A obra proporciona ao leitor momentos de entretenimento, mas provoca, também, reflexões sobre o cotidiano e a condição humana. Já em 2013 – O Inferno É Aqui, o autor narra a dura trajetória de luta contra o alcoolismo e sua traumática experiência em uma clínica de reabilitação. Trata-se de um relato real, intenso e impactante, que denuncia práticas abusivas e convida à reflexão sobre o sistema de tratamento da dependência química no Brasil. O lançamento do livro configura-se como um ato de coragem, denúncia e conscientização social.
É membro da Academia de Letras de Uberlândia, ocupando a Cadeira número 38, cujo patrono é Castro Alves.












